Minha obra "Antes naquele lugar eu. Nós aqui." (2011) integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e retorna ao público em outubro de 2026, na exposição Acervo em Foco: Paisagem Sonora, com abertura no dia 1º de outubro, às 18h, na Casa de Cultura Mario Quintana.
A obra é composta por quatro obeliscos, cada um guardando uma paisagem sonora, e por uma central equipada com um joystick. Quando o observador passa a assumir o papel de interator, ao acionar o joystick essas paisagens presas nos obeliscos são libertadas, permitindo combiná-las conforme o movimento de quem opera o sistema — uma lógica de interação inspirada nos jogos de fliperama, que propõe a pergunta: essa jogabilidade sonora, quando ritmada, pode ser música, compondo ao vivo a paisagem sonora do instante.
As quatro paisagens sonoras foram captadas por mim em Pelotas, no ano em que a cidade completava duzentos anos, em 2011 — proposição de uma imagem sinestésica, um som que evoca e substitui a visão de um lugar específico num tempo específico. A grande enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 danificou a obra, e esse dano trouxe a oportunidade inesperada de revisitá-la: no reparo, a tecnologia sonora original foi substituída por outra eletrônica muito próxima, do mesmo período histórico, seguindo o critério de reaproveitar objetos descartados que atravessa todo o meu trabalho.